Calculadora de preço por hora da serralheria
Quanto a sua oficina precisa cobrar por hora pra pagar galpão, energia, ajudante, consumível e imposto, e ainda sobrar. O erro que quebra serralheria é dividir o custo pelas horas TRABALHADAS. A conta certa usa só as horas que você consegue vender.
A hora que você vende não é a hora que você trabalha
Aqui mora o erro que faz a oficina cheia de serviço fechar o mês no aperto. O serralheiro pega o custo do mês, divide pela jornada inteira e acha que descobriu o valor da própria hora. Só que ninguém paga separado pela hora de medir a obra, de comprar material, de esperar o fornecedor, de dirigir até o cliente e de refazer a peça que voltou torta. Essas horas acontecem todo mês e saem do seu bolso.
| O que se mede | Referência | Observação |
|---|---|---|
| Jornada de referência do mês | 176 h | 22 dias úteis de 8 horas. As 220 h da folha são divisor de salário, não hora de bancada |
| Aproveitamento de oficina | 80% a 85% | Referência de gestão de oficina que recebe o serviço na porta |
| Horas vendáveis por pessoa | 140 h a 150 h | É por esse número que o custo tem que ser dividido, não pelas 176 h |
| Serralheria que instala na rua | tende a ficar abaixo | O deslocamento é seu, não do cliente, e ninguém paga a hora do trânsito |
Referências de gestão de oficina conferidas em setembro de 2026. O número da SUA oficina só sai do apontamento das suas ordens de serviço, e é ele que vale.
Quanto o mercado cobra pela hora de serralheiro
Serve pra você se localizar, não pra você se copiar. A média de mercado não conhece o seu aluguel, o seu ajudante nem quantas horas você consegue vender por mês:
| Forma de cobrar | Faixa em 2026 | Observação |
|---|---|---|
| Hora de serralheiro, média nacional | R$ 70 a R$ 90 | Referência de mercado de 2026. Varia muito por região e por especialidade |
| Hora em capital (São Paulo, Rio) | R$ 100 ou mais | Galpão caro e mão de obra cara empurram a hora pra cima |
| Diária | R$ 250 a R$ 500 | Diária é hora disfarçada. Divida pelas horas que você realmente produz no dia |
| Visita mínima de manutenção | R$ 100 a R$ 150 | Cobrada mesmo no serviço de 20 minutos, porque o deslocamento come a hora |
| Solda especializada (inox, alumínio TIG) | acima da média | Serviço que poucos fazem não se precifica pela média de ninguém |
Faixas de mercado conferidas em setembro de 2026. Não existe tabela oficial de preço de serralheria, e nem poderia: combinar preço entre empresas é infração.
Repare no que costuma acontecer quando o serralheiro roda a conta pela primeira vez: uma oficina de um homem só, com galpão alugado e pró-labore de gente, chega perto de R$ 110 a hora no preço ideal. Isso é ACIMA da média nacional. Não é erro da conta, é o recado dela. Média de mercado não paga aluguel de ninguém, e quem cobra a média com custo acima da média está bancando a diferença sozinho.
O imposto sai de dentro do preço, não por cima dele
O DAS do Simples é um percentual do que você fatura. Então somar a alíquota ao custo deixa a conta curta: o certo é dividir o custo por 1 menos a alíquota. Um custo de R$ 100 com 6% não vira R$ 106, vira R$ 106,38. Parece migalha e é, nessa faixa. Deixa de ser quando a empresa sobe de faixa, e deixa de ser de novo quando entra a maquininha, que também morde uma porcentagem do que entra.
| Situação | Quanto sai do preço | Observação |
|---|---|---|
| Simples Nacional, Anexo II (fabricação) | 4,5% | 1ª faixa. Serralheria que fabrica portão, grade e esquadria costuma cair aqui |
| Simples Nacional, Anexo III (instalação, manutenção e reparo) | 6% | 1ª faixa, até R$ 180 mil em 12 meses. A faixa seguinte já vai a 11,20% |
| MEI | R$ 82,05 a R$ 87,05 por mês | Valor fixo, não percentual. Lance em custo fixo e deixe o campo de imposto em zero |
| Taxa da maquininha | 0,57% a 3,15%, mais no parcelado | Não é imposto, mas sai do preço do mesmo jeito. Some no mesmo campo |
Alíquotas de partida conferidas em setembro de 2026. Elas mudam por anexo, por faixa de faturamento, por CNAE e por município, e 2026 ainda é o ano de teste da reforma tributária. Quem confirma o seu número é o seu contador.
Quanto de consumível entra em cada hora de bancada
É o custo que ninguém lança porque é comprado de pouquinho em pouquinho. Só que ele é da HORA, não da peça: corre junto com o arco aceso. Com os preços de setembro de 2026, uma hora de bancada que corta e solda de verdade come de R$ 8 a R$ 20:
| Consumível | Referência | Como vira R$ por hora |
|---|---|---|
| Disco de corte 7 polegadas (180 mm) | R$ 10 a unidade | Um disco por hora de corte pesado já são R$ 10 dentro da sua hora |
| Arame MIG ER70S-6 1,2 mm | R$ 320 o rolo de 15 kg | Dá R$ 21 o quilo. De 0,3 a 0,5 kg por hora de bancada são R$ 6 a R$ 11 |
| Eletrodo 6013 | R$ 179 a caixa de 5 kg | Dá R$ 36 o quilo. Perto de 0,3 kg por hora de arco são uns R$ 11 |
| Gás de proteção da MIG | 10 a 12 litros por minuto | Um cilindro de 10 m³ dá de 14 a 16 horas de arco contínuo. A recarga varia por distribuidora |
| Broca, lixa, serra, fita e EPI | varia demais | Some a compra do mês e divida pelas horas produtivas do mês |
Preços de balcão conferidos em setembro de 2026 e usados só como ponto de partida. O número que vale é o da sua nota de compra do mês.
O que esta calculadora não faz. Ela devolve o preço da sua HORA. O material da obra é outra conta, e entra por cima: aço, telha, ferragem, motor, tinta e perda de corte pertencem à peça, não ao relógio. Também não entram frete, garantia, retrabalho, financiamento de máquina nova e sócio que não põe a mão na produção. E ela não é fechamento contábil: é a conta de bolso que o dono precisa ter na cabeça antes de dar preço no WhatsApp. Onde a obra exigir responsável técnico, o custo da ART é da obra, não da sua hora.
Perguntas frequentes
Quanto o serralheiro deve cobrar por hora?+
A referência de mercado em 2026 fica entre R$ 70 e R$ 90 a hora na média nacional, e passa de R$ 100 nas capitais. Só que essa faixa é o que os outros cobram, não o que a sua oficina precisa receber. Quem paga aluguel de galpão e tem poucas horas vendáveis no mês tem uma hora naturalmente mais alta que a do concorrente que trabalha no fundo de casa, e cobrar a média nos dois casos quebra um dos dois. Rode a calculadora com as suas contas: o número que sair é o seu piso, e a média de mercado serve só pra você saber se está muito fora da curva.
Como calcular o custo da hora da minha oficina?+
Some tudo que a oficina gasta no mês mesmo sem vender nada: aluguel, energia, água, internet, contador, seguro, sistema, o seu pró-labore e a folha do ajudante já com encargos. Divida esse total pelas horas que você realmente consegue VENDER no mês, não pelas horas que você passa dentro do galpão. Depois some o consumível que cada hora de bancada come, que é disco, eletrodo, arame, gás e broca. O resultado é o custo real da sua hora, e cobrar abaixo dele é tirar do próprio bolso sem perceber.
O que são horas produtivas e por que elas são menos que a jornada?+
Hora produtiva é a hora que entra na nota do cliente. Medir a obra, ir buscar material, esperar o fornecedor, dirigir até o serviço, responder WhatsApp e refazer peça que voltou são trabalho de verdade, mas ninguém paga por eles em separado. A referência de gestão de oficina é de 140 a 150 horas vendáveis por pessoa no mês, sobre uma jornada de 176 horas, ou seja de 80% a 85% de aproveitamento. Serralheria que instala na rua costuma ficar abaixo disso, porque o deslocamento é seu. Dividir o custo pelas 176 horas cria uma hora barata que não existe, e é esse erro que faz o mês fechar no vermelho sem explicação aparente.
Como o imposto entra no preço da hora?+
O imposto do Simples é um percentual do que você FATURA, então ele sai de dentro do preço, não por cima do custo. Se a sua alíquota é 6%, o preço mínimo não é o custo mais 6%, é o custo dividido por 0,94. Com alíquota baixa a diferença é pequena, e cresce conforme você sobe de faixa e quando você soma a taxa da maquininha, que também é percentual do que entra. Quem é MEI tem outro caso: o DAS é valor fixo, entre R$ 82,05 e R$ 87,05 em 2026, então ele entra como custo fixo do mês e o campo de imposto fica em zero. Confirme a sua alíquota com o contador, porque ela muda por anexo, por faixa e por município.
Devo cobrar por hora ou por peça?+
Pro cliente, quase sempre por peça ou por metro: é assim que ele compara e é assim que ele entende. Pra você, sempre por hora, porque é a hora que consome o seu custo. As duas coisas convivem bem: você estima quantas horas a peça leva, multiplica pela sua hora, soma o material e a margem, e apresenta um preço fechado. Manutenção e reparo são a exceção em que cobrar por hora na proposta funciona, e aí vale ter uma visita mínima pra não perder dinheiro em chamado de 20 minutos.
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